Grécia em Chamas: a crise climática gerada pelo capitalismo resulta em um crescente número de refugiados climáticos

Por Yavor Tarinski

Estas são as imagens de Evia, na Grécia, onde centenas de lares foram queimados por um fogo furioso. Seus habitantes, agora refugiados climáticos, foram forçados a fugir para acampamentos improvisados e estádios. E não é somente na ilha, porque muitos outros lugares da Grécia têm sido tomados pelas chamas há quinze dias, incluindo florestas e assentamentos humanos. O que fica para trás é a completa destruição de ecossistemas e formas de vida.

Não é somente na Grécia: projeta-se que o número de refugiados climáticos ao redor do mundo ultrapassará um bilhão nas próximas décadas. O que está por trás destes desastres como queimadas, enchentes, secas, etc, é a mudança climática causada pelo capitalismo e as coisas só pioram com as décadas de reformas neoliberais e medidas de austeridade que deixaram nossas sociedades extremamente vulneráveis. Programas de saúde, departamentos de incêndio, redes de abastecimento de água e outros serviços públicos foram sistematicamente desmanchados para o rápido lucro de uns poucos poderosos, uma elite desproporcionalmente rica.

A única coisa que existe em abundância é a força policial para garantir que aqueles que perderam seus lares ficarão nos acampamentos recém criados para refugiados climáticos e que nenhuma onda de protestos populares se formará para ameaçar a crescente desigualdade de poderes nas nossas sociedades.

Um exemplo disso é que durante o incêndio na Grécia, menos de mil bombeiros foram enviados para a linha de frente de combate ao fogo. Enquanto isso, foram implantadas de 4.000 a 6.000 unidades de polícia em Atenas para demonstrações individuais. O caso mais notável foi em 6 de dezembro passado, quando foi celebrado o 12° aniversário da morte do adolescente Alexis Grigoropoulos, assassinado a sangue frio por um policial.

Em muitos lugares na Grécia, muito da resistência foi feita por locais auto-organizados e voluntários, já que não havia bombeiros o suficiente. A situação é parecida com a pandemia, durante a qual moradores urbanos organizaram redes de apoio para os mais vulneráveis, que são deixados de lado sem nenhum apoio por conta do sistemático desmanche neoliberal do sistema de saúde público.

Para todos aqueles que reclamam de não haver Estado, eu preciso dizer isso: há um Estado e ele só tem interesses que são diametralmente opostos aos interesses da vasta maioria da população.

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